31.12.07

Youkali - Teresa Stratas


C'est presqu'au bout du monde
Ma barque vagabonde
Errant au gré de l'onde
M'y conduisit un jour
L'île est toute petite
Mais la fée qui l'habite
Gentiment nous invite
À en faire le tour

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Youkali
C'est la terre où l'on quitte tous les soucis
C'est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L'étoile qu'on suit
C'est Youkali

Youkali
C'est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C'est le pays des beaux amours partagés
C'est l'espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Mais c'est un rêve, une folie
Il n'y a pas de Youkali

Et la vie nous entraîne
Lassante, quotidienne
Mais la pauvre âme humaine
Cherchant partout l'oubli
À, pour quitter la terre
Se trouver le mystère
Où nos rêves se terrent
En quelque Youkali

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Youkali
C'est la terre où l'on quitte tous les soucis
C'est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L'étoile qu'on suit
C'est Youkali

Youkali
C'est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C'est le pays des beaux amours partagés
C'est l'espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Mais c'est un rêve, une folie
Il n'y a pas de Youkali

Mais c'est un rêve, une folie
Il n'y a pas de Youkali

Roger Fernay/Kurt Weill, 1935(?)

28.12.07

Gustave Courbet no Grand Palais


Le Désespéré (auto-retrato), colecção particular

Até ao dia 28 de Janeiro de 2008, quem for a Paris poderá visitar a exposição "Courbet", nas Galeries nationales du Grand Palais. Quem não for, dispõe aqui de um Parcours de l'exposition. Courbet nasceu em 1819 e morreu a 31 de Dezembro de 1877.

http://www.grandpalais.fr/
http://www.rmn.fr/Gustave-Courbet,4

22.12.07

A Longa Viagem do Inverno

Though I have worked very hard at the "Winterreise", every time I come back to it I am amazed not only by the extraordinary mastery of it, but by the renewal of the magic: each time, the mystery remains.

Benjamin Britten, 1964

O ciclo de canções "Winterreise", de Schubert (1797-1828), já aqui tinha entrado, por outras razões e com Dietrich Fischer-Dieskau. Hoje está de volta, trazido por Benjamin Britten e Peter Pears.


Wasserflut

Manche Trän' aus meinen Augen
ist gefallen in den Schnee;
seine kalten Flocken saugen
durstig ein das heiße Weh.

Wenn die Gräser sprossen wollen,
weht daher ein lauer Wind,
und das Eis zerspringt in Schollen,
und der weiche Schnee zerrinnt.

Schnee, du weißt von meinem Sehnen.
Sag, wohin doch geht dein Lauf ?
Folge nach nur meinen Tränen,
nimmt dich bald das Bächlein auf.

Wirst mit ihm die Stadt durchziehen,
muntre Straßen ein und aus.
Fühlst du meine Tränen glühen,
da ist meiner Liebsten Haus.

Wilhelm Müller

Torrente

Muitas lágrimas dos meus olhos
caíram sobre a neve.
Os flocos frios, sedentos,
bebem a dor ardente.

Quando as ervas querem nascer,
sopra um vento morno,
o gelo desfaz-se em pedaços
e a neve macia derrete.

Neve, tu conheces o meu desejo.
Diz, por onde vai a tua torrente?
Se seguires as minhas lágrimas,
o ribeiro leva-te daqui.

Percorrerás com ele a cidade
e as ruas alegres.
Quando sentires o ardor das minhas lágrimas,
aí é a casa da minha amada.

21.12.07

Valha-nos Bach


(OedipusColoneus)

Weihnachts-Oratorium
(Oratória de Natal)

Recitativo e ária Bereite dich, Zion

(...)
Nun wird mein liebster Bräutigam,
Nun wird der Held aus Davids Stamm
Zum Trost, zum Heil der Erden
Einmal geboren werden.
Nun wird der Stern aus Jakob scheinen,
Sein Strahl bricht schon hervor.
Auf, Zion, und verlasse nun das Weinen,
Dein Wohl steigt hoch empor!

Bereite dich, Zion, mit zärtlichen Trieben,
Den Schönsten, den Liebsten bald bei dir zu sehn!
Deine Wangen
Müssen heut viel schöner prangen,
Eile, den Bräutigam sehnlichst zu lieben!
(...)

Werner Güra
Andreas Scholl

Akademie für Alte Musik Berlin
RIAS-Kammerchor
René Jacobs

19.12.07

Fraude

E se esta época de festas fosse como uma dor de cabeça ou de dentes? Tomamos um comprimido, dormitamos um pouco e, quando acordamos, já passou. Por mim, adormecia agora e acordava lá para Janeiro, quando os dias começam a crescer. Escapava a esta azáfama, que não se pode ir à Baixa, o Chiado está num rebuliço e o trânsito é o inferno.

O Pai Natal também anda por aí numa estafa, trepando pelas paredes, carregado de presentes para os meninos e para as meninas. Antes de ele ter nascido, era o menino Jesus, em pessoa, quem na madrugada do dia 25 de Dezembro descia sorrateiramente pela chaminé. Mesmo levantando-me da cama várias vezes durante a noite para ir espreitar, nunca o consegui ver.


18.12.07

João Grosso - Ode Marítima


Quarta-feira
19 de Dezembro
19h30

Vai ser no Maria Caxuxa
(Rua da Barroca, Bairro Alto)

15.12.07

On rigole!

(Foto do Expresso)

Já não temos Dimitra Theodossiou como diva, mas rainha morta, rainha posta. Chelsey Schill foi ontem coroada de aplausos. Mesmo antes de terminar a ária Gualtier Maldè... Caro nome, e em grande aflição e arrastamento de notas, tudo muito lento ou ela não aguentaria, já se ouvia um Bravo! Com tanto atabalhoamento aplaudido de modo efusivo ao longo da récita de 14 de Dezembro (Cortigiani, o quarteto...), a direcção do Teatro de São Carlos deve estar a rir à grande e à francesa. Para quê investir em cantores caros? O público gosta sempre, desde que possa cantarolar umas árias. Como Duque de Mântua, Saimir Pirgu foi o menos mau dos cantores. Do resto, nem vale a pena falar. Um "Rigoletto" para esquecer. Vil razza dannata.

(Nem se exigia tanto.)


GILDA

Gualtier Maldè... nome di lui sì amato,
ti scolpisci nel core innamorato!

Caro nome che il mio cor
festi primo palpitar,
le delizie dell'amor
mi dêi sempre rammentar!
Col pensier il mio desir
a te sempre volerà,
e fin l'ultimo sospir,
caro nome, tuo sarà.

Ler a crítica de Augusto M. Seabra no Letra de Forma:
Ah! La maledizione!! - I
Ah! La maledizione!! - II

14.12.07

O "Ring" de Keilberth


Um monumento.
Gravado em Bayreuth em 1955, ficou guardado numa gaveta até ser editado pela Testament em 2006. Foi utilizada a melhor tecnologia da época para registar "Der Ring des Nibelungen" em som estereofónico e o resultado é verdadeiramente extraordinário. Joseph Keilberth dirigia o coro e a orquestra do Festival de Bayreuth. Astrid Varnay e Wolfgang Windgassen eram Brünnhilde e Siegfried. Os gémeos Sieglinde e Siegmund eram Gré Brouwenstijn e Ramón Vinay. Hans Hotter cantava o deus Wotan.

A edição é muito cuidada e vem ilustrada com fotografias da encenação de Wieland Wagner, neto do compositor e responsável pela renovação de Bayreuth no período pós-guerra. (Também já saiu a versão económica.)

Eis uma pequena amostra: a Morte de Siegfried e a marcha fúnebre que se lhe segue. Perto do final de "Götterdämmerung" (Crepúsculo dos Deuses), Siegfried é morto por Hagen, cumprindo-se mais uma vez a maldição do anel. Siegfried recorda o momento em que acordou Brünnhilde com um beijo e despede-se da vida. A marcha fúnebre é um desfile dos principais motivos musicais "condutores" (Leitmotive) da tetralogia.


SIEGFRIED

Brünnhilde! Heilige Braut!
Wach' auf! Öffne dein Auge!
Wer verschloss dich wieder in Schlaf?
Wer band dich in Schlummer so bang?
Der Wecker kam; er küsst dich wach,
und aber, der Braut bricht er die Bande:
da lacht ihm Brünnhildes Lust!
Ach! Dieses Auge, ewig nun offen!
Ach, dieses Atems wonniges Wehen!
Süsses Vergehen,
seliges Grauen.
Brünnhild' bietet mir Gruss!

SIEGFRIED

Brünnhilde! Noiva sagrada!
Acorda! Abre os teus olhos!
Quem te forçou de novo a dormir?
Quem te encerrou neste sono assustador?
Chegou o que te vai acordar, com um beijo,
e libertar a noiva dos grilhões.
A alegria de Brünnhilde sorri-lhe!
Ah! Estes olhos, agora abertos para sempre!
Ah! Esta respiração maravilhosa!
Feliz agonia,
Doce Sofrimento.
Brünnhilde saúda-me!










10.12.07

Cantatas e sonatas de Handel, ou seja, música para entreter

Retrato de Handel à época da composição das primeiras cantatas italianas
Pastel de Luzie Schneider, cerca de 1710

Pastorella, i bei lumi (ouvir)

(LoRau)

“Música e entretenimento cortês no início do séc. XVIII” é o título do texto de João Silva, incluido no programa de sala do concerto de Andreas Scholl na Gulbenkian, no passado dia 8 de Dezembro. O título não podia definir melhor aquilo que se ouviu: quatro cantatas, com duas sonatas em trio pelo meio.

Imaginemos o salão de um palácio barroco, perucas e leques a abanar, condes e condessas, marqueses e princesas, todos muito entretidos em conversas e jogos. Ao longe, um violino, uma flauta e um cravo, só para entreter, literalmente.

O que se exigia a um compositor não era muito: música de fundo. Por vezes, bastava reciclar umas melodias já utilizadas em outras obras e nem era necessário especificar os instrumentos na partitura. A música seria executada pelos instrumentistas disponíveis no momento (violinos ou flautas, tanto fazia).

Apesar de as sonatas do programa terem sido tocadas em teatros, não perderam o carácter de música de entretenimento, sabendo nós que o público ia ao teatro para comer e conversar, escutando com mais atenção uma ou outra ária pelo castrato preferido. No séc. XXI, em concerto, não me parece que essas sonatas despertem um grande interesse para além da curiosidade histórica.

As cantatas que Scholl interpretou no Grande Auditório da Gulbenkian (e hoje na Casa da Música) enquadram-se, também, nesta atmosfera palaciana e não são representativas do melhor que já ouvimos pela voz deste contratenor. A primeira ária da cantata “Nel dolce tempo”, Pastorella, i bei lumi, permitiu-nos apreciar o seu belo timbre, mas foi na quarta cantata do programa, “Mi palpita il cor”, que ela mais nos seduziu. A ária Ho tanti affanni in petto foi repetida no único encore, talvez o melhor momento do concerto.

Foi bom ver Andreas novamente, mas já vi o Scholl brilhar mais.

[Scholl em entrevista ao Público: (...)uma espécie de «easy listening» do período barroco(...)]

4.12.07

Barbara Bonney - Reseda

O perfume da Reseda que vi no Dias com árvores trouxe-me à memória uma canção que Richard Strauss (1864-1949) compôs a partir de um poema de Hermann von Gilm (1812-1864): "Allerseelen". 

Penso que a voz cristalina de Barbara Bonney foi ouvida na Gulbenkian, pela primeira vez, em Fevereiro de 1992. O Grande Auditório esteve longe de encher e, perto do final, restavam talvez uns dez espectadores, que foram descendo para as primeiras filas. Não sei se a cantora se lembrará desse magnífico recital. Alguns meses antes tinha apresentado o mesmo programa no Wigmore Hall, em Londres, e a casa estava cheia. Em Lisboa, Barbara e Parsons souberam que aqueles poucos espectadores bebiam a sua música e, em estado de graça, ofereceram generosamente três encores. Se há recitais que têm magia, este foi um deles. Não é todos os dias que temos Barbara Bonney a cantar só para nós e os dedos do já falecido Geoffrey Parsons tocando nas teclas com uma delicadeza ímpar. No final, após os últimos acordes de "Morgen", ouviu-se o silêncio absoluto no Grande Auditório. Ninguém ousava destruir o clima criado. O momento perpetuou-se.
                   

Allerseelen

Stell auf den Tisch die duftenden Reseden,
Die letzten roten Astern trag herbei,
Und laß uns wieder von der Liebe reden,
Wie einst im Mai.

Gib mir die Hand, daß ich sie heimlich drücke,
Und wenn man's sieht, mir ist es einerlei,
Gib mir nur einen deiner süßen Blicke,
Wie einst im Mai.

Es blüht und duftet heut auf jedem Grabe,
Ein Tag im Jahr ist ja den Toten frei,
Komm an mein Herz, daß ich dich wieder habe,
Wie einst im Mai.

Dia de finados

Põe sobre a mesa as resedas perfumadas,
Traz também as últimas sécias vermelhas,
E falemos outra vez do amor,
Como uma vez, em Maio.

Dá-me a tua mão, para que a aperte secretamente,
E se alguém notar, tanto me faz,
Dá-me só um dos teus doces olhares,
Como uma vez, em Maio.

Hoje os túmulos estão floridos e fragrantes,
Um dia por ano é dos mortos,
Vem ao meu peito, para que eu volte a abraçar-te,
Como uma vez, em Maio.



(O CD foi gravado em 1989 e editado no ano seguinte. Esta capa pertence a uma reedição.)

Flores lilases

28.11.07

Artur Pizarro no São Luiz

Artur Pizarro e Vita Panomariovaite apresentam hoje (28 de novembro), às 21 horas, no Teatro São Luiz, o novo CD "Piano Duos" (ouvir excertos), com obras de Rimsky-Korsakov, gravado em 2006 neste mesmo teatro. Vita Panomariovaite foi a primeira aluna de Pizarro, quando ele era professor na Guildhall School of Music and Drama, em Londres.

27.11.07

Coraleira

Erythrina crista-galli

Somos como árvores
só quando o desejo é morto.
Só então nos lembramos
que dezembro traz em si a primavera.
Só então, belos e despidos,
ficamos longamente à sua espera.

Eugénio de Andrade, As Mãos e os Frutos

23.11.07

Béjart - Le Sacre du Printemps

Béjart est mort.

"A Sagração da Primavera", com a música de Stravinsky

(fibonacci69)

Comentário de Elisabete França (Lisboa) à notícia do Público:

Falta neste obituário uma informação significativa no contexto português. Mais importante do que ter actuado em Portugal há 3 anos e com a criação coreográfica já marcada pelo academismo, foi a vinda de Maurice Béjart e da sua companhia de então, em 1968 (ou seria 67?), ao Coliseu de Lisboa. Aí, a sua declaração de solidariedade com os movimentos de libertação das colónias portuguesas motivou a intervenção da PIDE e a expulsão do artista de território nacional.

22.11.07

Amadeo em Hamburgo

De 2 de Dezembro de 2007 a 30 de Março de 2008, os alemães poderão conhecer a obra do maior pintor modernista português (ler no Público). Em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Ernst Barlach Haus vai expor quase setenta obras de Amadeo pertencentes ao Centro de Arte Moderna.

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)
Ein Pionier aus Portugal

A exposição pretende dar visibilidade ao percurso de "um pioneiro de Portugal" que é praticamente desconhecido no estrangeiro. Em 1906, Amadeo deixa o curso de arquitectura em Lisboa, faz as malas e parte para Paris, para se dedicar à pintura. Conhece Modigliani, Sonia e Robert Delaunay, Picasso, entre outros vultos do modernismo parisiense. Experimenta todas as correntes vanguardistas então em voga - o fauvismo, o orfismo, o cubismo, o futurismo - e Otto Freundlich apresenta-lhe o expressionismo alemão dos movimentos "Die Brücke" e "Der Blaue Reiter".

Sem título, cerca de 1912, aguarela

Em 1913, após expor em Munique, Londres, Moscovo e Nova Iorque, participa também no Primeiro Salão de Outono Alemão, em Berlim, um importante marco na história da arte moderna. Os seus quadros são comprados por vários coleccionadores, as críticas são favoráveis e o talento de Souza-Cardoso é reconhecido. Com o início da Primeira Guerra Mundial, Amadeo regressa a Portugal. Continua a pintar mas, em época de crise e num país pouco dado a modernismos, acaba por quase cair no esquecimento.
A gripe espanhola leva-o aos trinta anos de idade.

Sem título (retrato de Paul Alexandre?),
cerca de 1917, óleo sobre tela

21.11.07

O novo programa de Jorge Rodrigues

Graças à Fundação Calouste Gulbenkian, podemos voltar a ouvir Jorge Rodrigues, no site da Fundação, ou aqui ao lado (Grande Auditório, no topo da barra lateral). Um bálsamo para quem tem saudades do Ritornello.






Grande Auditório

Um programa de Jorge Rodrigues com edição de Tiago Jónatas.

Um espaço dedicado aos intérpretes que nos visitam, bem como à música que lhe damos a ouvir ao longo da Temporada, contando com uma actualização semanal. Concebido e apresentado por Jorge Rodrigues, este espaço funcionará como um complemento auditivo às informações escritas que já pode encontrar no nosso site. Antecipe-se, pois, ao que irá assistir no seu concerto desta semana através destas sugestões de audição.

20.11.07

2008, Um Festival Pina Bausch

Por que não se deve perder Pina Bausch?

Excertos do filme "Die Klage der Kaiserin" (O Lamento da Imperatriz), de 1989.



Cafe Müller (de 1978)

(rphilippart)

Masurca Fogo (de 1998)

(barijuano)

Centro Cultural de Belém e Teatro São Luiz
2008, Um Festival Pina Bausch


Pina Bausch
Tanztheater Wuppertal

11.11.07

Lusitanos ao natural

Na Herdade de Muge (Casa Cadaval), uma das coudelarias mais antigas em Portugal.



A arte de bem cavalgar

São Martinho é época de cavalos e quem gosta vai à Golegã.
Ambos são lusitanos, mas o cavalo castanho é um magnífico Alter Real, apresentado pela Escola Portuguesa de Arte Equestre.



8.11.07

Outono no Alentejo

Em pleno Verão de São Martinho, num monte perto de Arraiolos, vibram cores de Outono no amarelo-dourado das vinhas e das árvores.

As árvores são lilases-da-Índia (Melia azedarach), que têm folha duplamente pinada, como disse Maria Carvalho. Grato pela identificação.



5.11.07

Helicónias

Originárias da América tropical e das ilhas do Pacífico, são parentes próximas das bananeiras e das estrelícias. Em Inglês, chamam-lhes "lobster-claw" e "false bird-of-paradise". O nome Heliconia vem do monte Helicon, associado às musas na mitologia grega.
Existem, supostamente, cem a duzentas espécies do género Heliconia.
Família: Heliconiaceae


1.11.07

Voltaire e Lisboa - Candide

(Gravura de Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Ópera do Tejo (Teatro Real da Ópera) terá sido um dos mais sumptuosos teatros europeus na época da sua construção. Inaugurada na Primavera de 1755, poucos meses depois estava transformada em ruínas.





Ô malheureux mortels! ô terre déplorable!
Ô de tous les mortels assemblage effroyable!
D'inutiles douleurs éternel entretien!
Philosophes trompés qui criez: "Tout est bien"
Accourez, contemplez ces ruines affreuses,
Ces débris, ces lambeaux, ces cendres malheureuses,
Ces femmes, ces enfants l'un sur l'autre entassés,
Sous ces marbres rompus ces membres dispersés;
Cent mille infortunés que la terre dévore,
(...)
Direz-vous, en voyant cet amas de victimes:
"Dieu s'est vengé, leur mort est le prix de leurs crimes"?
Quel crime, quelle faute ont commis ces enfants
Sur le sein maternel écrasés et sanglants?
Lisbonne, qui n'est plus, eut-elle plus de vices
Que Londres, que Paris, plongés dans les délices?
Lisbonne est abîmée, et l'on danse à Paris.
(...)
Começa assim o "Poema sobre o Desastre de Lisboa", escrito por Voltaire (1694-1778) logo após o terramoto de 1 de Novembro de 1755, que a Alêtheia publicou em edição bilingue, com tradução de Vasco Graça Moura, em 2005.

Voltaire recusa-se a aceitar a catástrofe como castigo divino para os pecados dos Homens. Não pode Lisboa ter mais vícios que Londres ou Paris, mas é Lisboa que se afunda enquanto em Paris se dança. Mais tarde, no conto "Candide, ou l'Optimisme", voltará ao tema do terramoto de Lisboa. Após várias peripécias, o inocente Cândido, a quem todos os males acontecem, chega a Lisboa no exacto momento em que se dá o terramoto e o navio afunda-se, mas ele e o seu preceptor Pangloss salvam-se. Ambos percorrem Lisboa entre escombros e cadáveres e acabam por ser condenados pela Inquisição. Cândido virá a ser poupado.

Sendo Voltaire um dos pilares do Iluminismo, é importante verificar que, por cá, imperavam as trevas da Inquisição e que o despotismo, de esclarecido, tinha pouco. Mesmo para os sábios de Coimbra, que eram os representantes máximos da erudição em Portugal, a queima dos hereges em auto-de-fé seria o método mais eficaz para acalmar a ira de Deus e evitar novas catástrofes.

Pegando no conto de Voltaire, Leonard Bernstein (1918-1990) compôs o divertido e irónico "Candide", na linha do teatro musical, em 1956. Aqui está a abertura, com a Orquestra Sinfónica de Londres dirigida pelo próprio compositor, numa versão de concerto gravada em 1989.

(nickbigd)

I am easily assimilated

I was not born in sunny Hispania.
My father came from Rovno Gubernya
But now I’m here, I’m dancing a tango:
Di dee di!
Dee di dee di!
I am easily assimilated.
I am so easily assimilated.

I never learned a human language.
My father spoke a High Middle Polish.
In one half-hour I’m talking in Spanish:
Por favor! Toreador!
I am easily assimilated.
I am so easily assimilated.

It’s easy, it’s ever so easy!
I’m Spanish, I’m suddenly Spanish!
And you must be Spanish, too.
Do like the natives do.
These days you have to be
In the majority.

Christa Ludwig canta I am easily assimilated, de "Candide".

(s006221)


Tus labios rubí,
Dos rosas que se abren a mí
Conquistan mi corazón,
Y sólo con
Una canción

Mis labios rubí,
Drei viertel Takt,
Mon très cher ami,
Oui oui, sí sí,
Ja ja ja, yes yes, da da,
Je ne sais quoi!

Me muero, me sale una hernia!
A long way from Rovno Gubernya!
Mis labios rubí,
Dos rosas que se abren a tí,
Conquistan tu corazón,
Y sólo con
Una divina canción
De mis labios rubí.

(echo.ucla)

29.10.07

Ah! mio cor! - Alcina - Handel

Se há árias que falam dos males do coração, Ah! mio cor! é das que mais impressionam. A feiticeira Alcina, ao sentir-se traída e abandonada por Ruggiero, fica a cantar uma meia dúzia de versos durante uns bons dez minutos. Esta era uma das especialidades de Handel: compor longas árias com uma melodia inspirada, oferecendo aos cantores a hipótese de brilharem com as variações na repetição do tema.

Em 1999, a Erato editou "Alcina", com uma gravação efectuada na Ópera de Paris (Palais Garnier) e as interpretações de Renée Fleming, Susan Graham e Natalie Dessay nos principais papéis. A orquestra Les Arts Florissants foi dirigida pelo seu maestro, William Christie.




Foi editado, já em Agosto, o novo disco de Magdalena Kozená, inteiramente dedicado a árias de Handel: "Alcina", "Giulio Cesare in Egitto", "Theodora", "Ariodante", entre outras obras. A voz luminosa, cristalina, de Kozená atravessa um período de esplendor, que pode ser testemunhado no seu site (Deutsche Grammophon). Um dos muitos momentos altos do disco é precisamente a ária Ah! mio cor!, de "Alcina".



Ah! mio cor!
Ah! mio cor! schernito sei!
Stelle! Dei!
Nume d'amore!
Traditore!
T'amo tanto;
Puoi lasciarmi sola in pianto,
Oh Dei! perché?


Ma, che fa gemendo Alcina?
Son regina, è tempo ancora:

Resti, o mora,
peni sempre,
o torni a me.

Magdalena Kozená canta Ah! mio cor!
(Crindoro)

27.10.07

Wat Pho

Os muros do templo Wat Pho dão flores que parecem camélias com pétalas de cerâmica. No jardim, vive uma árvore que dá flores que parecem orquídeas.





Tamarindus indica
(Identificada por Maria Carvalho)

Segundo a Wikipedia, a palavra "tamarindo" vem do Árabe تمر هندي (tamar hindi, ou seja, tâmara da Índia). Esta árvore é nativa da África tropical mas terá sido através da Índia que os Persas e os Árabes a conheceram, daí o nome genérico Tamarindus. O interior do fruto, quando seco, assemelha-se à tâmara e é utilizado como condimento (na Tailândia, por exemplo, em molhos agridoces).

Família: Fabaceae
Subfamília: Caesalpinioideae